a moda na enfermaria
6Os amigos têm me perguntado se não vou postar nada sobre os desfiles internacionais. Ai, sabe preguiiiiiiça, mas uma preguiiiiiiiiça muuuuuuuito grande? Pois é… ela está pairando sobre a minha pessoa, mais ou menos como uma nuvem em cima da casa da família Adams. Hehehe!
Sabe o que é? Cansei um pouco de fingir que aqueles desfiles norte-americamos e europeus têm a ver com a moda que acontece abaixo do equador. Todo mundo já sabe, a esta altura do campeonato, que a grande influência de estilistas consagrados como Marc Jacobs, John Galliano e Nicolas Ghesquière vai se revelar na abundância de cópias baratas que serão confeccionadas e vendidas no mundo todo. Que o nível da moda brasileira é bastante bom, PORÉM, nossos maquinários estão defasados, os tecidos e os acabamentos estão longe de atingir a perfeição. E o mercado consumidor então? Nem se fala…ele se divide entre gente endinheirada que consome artigos de luxo, mas não tem estilo próprio nem personalidade para se vestir REALMENTE bem. E uma classe média que se espelha nas celebridades e consome a moda rápida e barata vendida nas Zara da vida.
Sim, nós temos criadores. Mas quem é que está, de fato, interessado no que eles criam?
Eu, você, meia dúzia de gatos pingados? Estou sendo muito ácida? Muito crítica?
Talvez sim, mas o desfile de Marc Jacobs para a Louis Vuitton, com sua equipe de enfermeiras fashion, vestidas com aventais de organza branca, parece diagnosticar, de forma acurada, que a moda hoje precisa de uma UTI urgente!
Ou sou eu que ando delirando???
Outros posts sobre moda, design, arte e música, sem frescura:
Categorias: Louis Vuitton, desfile



outubro 16th, 2007 at 11:18
nao, você não está delirando.
outubro 16th, 2007 at 13:11
Concordo em gênero número e grau!
outubro 16th, 2007 at 14:43
Não, minha cara, você não está delirando, o problema é que a UTI está transbordando, não há mais espaço para tanta mesmice. O excesso de dinheiro de uns está atropelando a criação/criatividade.
Preguiiiiiiiiça.
outubro 17th, 2007 at 9:56
Biti querida,
Adorei as reflexões! Embora tenha escrito o Dicionário da Moda e nele tenha procurado REGISTRAR parte da moda que aconteceu no Brasil (Afinal, todo mundo se vestiu nestes últimos tempos…Até mesmo os índios…Ok, tudo bem, alguns deles usam tênis Adidas e t-shirts com frases em inglês…), tudo o que você colocou em seu texto, realmente acontece. Coisas de país colonizado (pelo visto, a independência completa não veio em 1822!!!). Procure relaxar e escreva sobre o que torna suas retinas felizes (material nacional ou não) e sobre o que deixa seus neurônios excitados. Acho que o Brasil precisa mesmo é de gente de opinião! Gente que blogue escrevendo direito e com propriedade. Como você tem feito. Quanto à moda nacional, é aguardar para ver. No dia em que jornalistas estrangeiros vierem asssitir desfiles nacionais comprando suas passagens e bancando suas próprias despesas, aí sim, talvez, possamos dizer que houve uma grande evolução. Beijos, Marco Sabino
outubro 17th, 2007 at 10:13
Pois é.
Acho fabuloso o fashion show, mas cansei dessa coisa ensimesmada.
A reflexão – ácida, mas correta – sobre o nosso mercado consumidor me faz ver um mundo pasteurizado… Que só vê o “Rio da Globo”, sabe?
Enfim, e aí, como eu sou uma neo-docente, cheia de idéias e vontades, às vezes me deparo com vícios que são mantidos dentro da academia, um povo sem criatividade e sem desejo de fazer algo realmente diferente porque fica amarrado no que vê no style.com…
Bom. A gente precisa manter o olhar aguçado e o pensamento crítico e tomar cuidado pra não se deixar pasteurizar também. Não é?
Um abraço
outubro 17th, 2007 at 23:48
Amada (rezo para que dê um tempo para nadar com os golfinhos!!!)
Estou exercitando, com muita dificuldade, o pensamento includente. Sei que não tem obrigação nenhuma de postar uma linha sobre os supracitados desfiles, que eles não têm nada a ver com a gente, etc etc. Mas eles existem e sempre quando os vejo, me dão esperanças em relação ao que acontece por aqui. Olhei alguns de Paris e vi as flores e as do Reinaldo não ficaram nem um passo atrás. E os brancos do Gaultier, os do Lino ainda são mais impactantes na minha memória. Sem ufanismos, só constatações.
Estou com aquele editorial insano dos pioneiros. Tem de um tudo. Não falo só de cópias, mas de desejos, vontades, atitudes…
Ontem, sobre a volta da Mr. Wonderful fiquei lendo sobre o grupo Moda Rio. Fiquei surpreso de ver tanta gente ainda na ativa. Ou pelo menos seus continuadores, como a Dani Jenssen para Maria Candida…
Temos esta coisa da resistência. Poderíamos ser mais antropofágicos do que somos. Gosto da atitude japonesa, eles vão lá copiam tudo o que podem e devolvem do jeito deles. Mestiçagem pura.
Temos estes talentos como o Ale, Fraga, Clo, Ranieri (falando em continuações), Lino…Não é pouco. Falta chão? Muito. A estética vencedora é a da novela? A da Zara? E daí? Vamos desistir?
Sempre falo que a moda brasileira é muito jovem, ela vai que vai, tropeça aqui, acerta ali. Talvez não vejamos ela madura. Tudo bem. Fizemos (ó o pensamento includente) a nossa parte. Pouco? Talvez, mas necessário.
Beijos, saudades imensas!!!!
Oliveros