No início deste mês conversei com meu amigo Marco Sabino (designer de acessórios, autor do Dicionário da Moda e do site que leva seu nome) e ele estava indignado com a notícia de que o grupo I’M, Identidade Moda, tido como o novo mecenato da moda brasileira, estaria em sérias dificuldades financeiras e não teria concretizado os contratos de compra –anunciados com estardalhaço pela imprensa nacional– das marcas Cumplice, Alexandre Herchcovitch e Fause Haten.
No dia 11 de março, Marco Sabino expressou essa indignação no próprio site. Segue o texto, intitulado: E O IMBROGLIO FASHION NACIONAL?
“As notícias chegam a conta-gotas. Gloria Kalil assinou um editorial dando uma pincelada no assunto e a Raquel Marangoni do Fashion Prime escreveu uma matéria com dados fornecidos pela agência O Estado.
Mas, afinal, o que é isso? Uma brincadeira? Na minha opinião, está acontecendo uma grande falta de respeito tanto com a mídia quanto com os leitores.
Falta de respeito com a mídia que, ingenuamente, mas avidamente, deu capas, matérias, notas, artigos, fotos e muitas e muitas laudas para a nova era da moda brasileira.
Falta de respeito com os leitores e interessados nos assuntos do setor que costumam acreditar tanto nas marcas envolvidas quanto nas informações contidas nas páginas da imprensa. Não só nas de moda como nas de economia e finanças. Quantas vezes você leu sobre o novo chefão da moda brasileira? Quantas vezes você leu a declaração de alguns estilistas dizendo que tiveram de fazer um grande exercício de desapego material para vender suas marcas? Como a era fashion tupiniquim, à la PPR e LVMH, segundo informações colhidas até o momento, parecem não passar de um engodo? Na minha opinião, nenhum dos envolvidos está livre desse imbroglio fashion. Ninguém pode ser tão ingênuo assim. As marcas que aceitaram se promover e permitiram a divulgação das matérias são cúmplices e reféns dessas ainda nebulosas mentiras.
E como ninguém assinou nada?
Como as pessoas têm a cara de pau de dar entrevistas reais sobre situações que ainda não haviam acontecido?
Isso é profissionalização?
Vamos esperar para ver no que vai dar, mas eu acho tudo isso uma vergonha!” Por Marco Sabino
Hoje, na coluna Última Moda, de Alcino Leite Neto, na Folha de SP, veio a confirmação de que Alexandre Herchcovitch deve retomar o controle sobre suas duas marcas (pret-à-porter e jeans) devido ao não pagamento do valor combinado.
Segundo a matéria: “Em março a Cumplice negou ter completado o negócio com a HLDC. Fause Haten teria sido o único que de fato assinou o contrato de venda de sua grife, mas também estaria tendo problemas no cumprimento do contrato.”
O que mais chama a atenção, nesta história absurda, é não só a leviandade destes “homens de negócios”, como a indiferença da mídia diante disso. Estou com o Marco Sabino, acho tudo isso uma vergonha! Vamos fazer de conta que não aconteceu nada? Vamos varrer pra debaixo do tapete?
Eu também fiquei meio indignado/decepcionado com tudo isso… Eu sempre tive um pouco de preconceito com toda essa história de grupos financeiros aqui no Brasil, acho que principalmente devido ao caso da AMC Têxtil com a Colcci e Sommer, que depois da aquisição a informação de moda, estilo e tudo que tinha de legal nessas marcas, literalmente desapareceram (até seus estilitas originais, mas isso é o de menos).
Daí veio a I’M comprando a Zoomp, trazendo a Zapping de volta à ativa, Alexandre Herchcovitch e Fause vendendo suas marcas, e tudo pareceia estar indo super bem. As matérias que eram publicadas, como você e o Marco mesmo disseram aqui eram sempre super otimisitas, dizendo que a moda no Brasil entrava em outra fase. E com tudo isso comecei a mudar o jeito como enxergava esses grupos, fui pesquisar mais e até cheguei achar que o trabalho da I’M seria uma boa solução para nossa moda, sem comprometê-la demais… Engano o meu, né?
Beijos!
É… Luigi, engano nosso, geral e irrestrito. Além da decepção, me parece um retrocesso: dá a impressão de que no Brasil as coisas não são sérias.
Tenho certeza de que em qualquer lugar do mundo poderia ter acontecido isso, o que me assombra é a falta de reverberação do assunto na mídia especializada.
Gente!!! Tô Boba.
Não dá pra vender o peixe pelo que se comprou… Como podemos ler jornal e revistas procurando estar super informados quando não há nenhum comprometimento com á verdade. Parece aqueles blefes da bolsa de valores.
Temos que mostrar indignação, pela falta de respeito por parte destes “empresários”.
bjo
eu tambem estou indignada com esta noticia
mas tenho q confessar q qdo estive ai no Br no verao e li sobre as mudancas fiquei meio sem saber o q pensar, desconfiei
achei q a rede estava mto gde para o peixe
ninguem muda tanto e tudo de uma vez so pensei…mas nao moro mais no br entao…
mas nunca pensei q ia acabar em escandalo
pior e saber q a midia nao esta botando a boca no trombone
e acho q esta e a pergunta a se fazer
porque o silencio?
nossa, fiquei passado com as noticias…durante a ultima semana de moda soh se falava neste grupo, durante toda a semana as chamadas dos sites especializados eram a respeito das aquisicoes…e agora? sem nenhuma peca na prateleira?
q pena pra moda brasileira…vamos ver o q vem por ai….acho q isso eh somente a ponta do iceberg e sera q os sites “amigos” vao se pronunciar de uma maneira parcial?????
15 março, postado no ‘Fora de Moda’
Meu amigo, Minha amiga.
Isto não é nada! O Estadão ainda escondeu vários, mas vários outros bafos.
MOMENTO ‘VOCÊ SABIA?!’
Você Sabia que a I’M (ou Áiêmi, se preferir, ou EU SOU/ESTOU)é uma grande piada?! A então Zoomp Modas (nome do grupo que nem é grupo, mas a véia Zoomp de guerra só que mais desorganizada) pós-Kherlakian & Álvaro é o Titanic da Moda: enquanto o barco tá afundando e matando um monte de gente, os diretores continuam tocando violino e o protagonista se exibindo de braços abertos na proa! Hahaha! Ê Brasil!
MOMENTO ‘HORA DA VERDADE’
Além de não pagar seus tributos, a I’M não repassa às instituições devidas o FGTS, Empréstimos e outros débitos. Tem um monte de funcionário, por exemplo, com nome sujo por causa disso. Pode ser qualquer um! Ela tipo rouba os próprios funcionários. Ex estilistas, designers e marqueteiros da casa, gente conhecida de mercado, estão movendo ações judiciais contra a nova empresa, pois ela sequer pagou as rescisões contratuais deles. Fornecedores à beira da falência, demissões em massa, famílias desamparadas. Enquanto isso a nova diretoria – inconsequente, irresponsável e amadora – bokitando pra imprensa, saindo diariamente na Folha (graças ao amigo jabazeiro também amador Alcino Leite), posando de gostosa e fodona. E o Brasil da Memória Curta vendo até neve de tão européia e chic que soavam as notícias de um novo Grupo de Moda brasileiro, o mais hypado deles. Blah!
A nova Zoomp/S.A. sequer pagou o pedreiro que reformou seu recente showroom nos Jardins, a quantia de R$300,00. O calote só não afeta quem tem as costas quentes e pode miar o esquema da empresa de bombar seu casting de marcas e coloca-las na Bolsa de Valores, gente como Giovanni Frasson. Aí seria demais, não é mesmo minha gente?! Ficar sem pagar a costureira de baixa-renda que tem 5 filhos, fazendo-os passar fome, e que costurou as roupas do desfile tudo bem, né? Normal, Brasil. É até chic fazer isso!
E bafo por aí vai, com mershandising milionário da Firma na TV Globo, com modelos milionárias em seus desfiles, com viagens milionárias semanais da nova equipe de estilo com direito a acompanhantes especiais, como o novo namorado de Herchcovitch [http://www.fotolog.com/alcideseamigos] e até a Marcelona(?!).
Mas tudo bem.
Daqui a pouco ninguém nem lembra mais disso, assim como ninguém lembra que da primeira vez que Herchcovitch passou pela tão amada marca, ele quebrou o Raio ao meio a quase faliu. As vendas eram desastrosas. Já fazem 5 (cin-co) anos que isso ocorreu de fato. Engraçado, pois no site dele ele relata serem 10 anos! A internet acelera as coisas mesmo, né minha gente? Ê Internet.
E será que ele vai quebrar o Raio de novo? A primeira special edition do Superstar estrelada pela estrelar estrela Grazi Massafera chama-se Zoomp Star. Foram fabricadas cerca de 100 mil calças jeans em 10 fornecedores diferentes pelo País. Mas apenas 4 mil delas conseguiram ser vendidas – talvez porque o produto seja de baixíssima qualidade. Adivinha: A I’M não pagou os fornecedores e mandou dizer que não vai pagar, que pilantragem pouca é bobagem. Que podem processar, podem denunciar, mas que a pose continua. “E com força”, enfatizam.
MOMENTO ‘CABRUMMM!’, A ONOMATOPÉIA DO RAIO
Por isso que os fashionistas repetem com eco o novo grito de guerra da House of Palomino, bolado por André Durval:
“Hype em 2008 é vestir Zoomp!”
Arrasa Brasil!
Moda, moda, moda, moda, moda, moda, MO-DA!
É a Moda Brasileira seguindo o exemplo de anos e anos de injustiça, miséria e corrupção do Nosso Governo.
A tendência do WGSN agora é “Impunidade Fashion! Truque de Glamour!”
Zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz…