um plus a mais

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16nov . 09 23:33

glamour

Qual foi a última vez que você viu um mulherão desses, com curvas voluptuosas, na capa de um revista de moda?

Se você é da turma dos fashionistas, certamente viu Beth Ditto, vocalista do Gossip, na capa do primeiro número da revista LOVE, em fevereiro deste ano. Ela é o primeiro ícone pop a quebrar a ditadura da magreza, em muito tempo. Ditto, que além de gorda é uma lésbica militante, assumidíssima, chamou a atenção até mesmo da poderosa Anna Wintour. Um parêntesis sobre o assunto:

Pessoalmente, não acredito que a diretora da Vogue America tenha mudado sua visão sobre os padrões estéticos femininos. A revista publica um ou outro editorial com foco em diferentes tipos físicos, com alguma moça mais carnuda, uma vez por ano, e só. No restante do tempo, são veiculadas milhares de imagens que reforçam o estereótipo do corpo esguio. O fato da revista LOVE, de Katie Grand, também pertencer à Condé Nast,  é significativo. Certamente, La Wintour não quer perder o trono de grande dama de moda. Fecha o parêntesis.

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A imagem lá no topo do post, que mostra sete belas modelos com vários centímetros a mais de seios, coxas e quadris, não foi publicada na capa, mas sim na seção de saúde da revista Glamour norte-americana. E mesmo assim, eu diria que é um marco no mercado de revistas femininas. A foto ilustra uma matéria/manisfesto em que a publicação assume o compromisso de mostrar, a partir de agora, e de forma consistente, mais mulheres curvilíneas.

A autora da matéria, Genevieve Field, conta que tudo começou em setembro, quando a foto de uma modelo plus size, também nua, começou a receber muitos comentários no site da Glamour.com. Isso chamou a atenção da equipe, levando à uma inevitável pergunta: se existe uma legião de mulheres acima do peso considerado “normal” e elas manifestam o desejo de se verem representadas na mídia e na moda, porque são sumariamente ignoradas?

“Em primeiro lugar existe o problema do tamanho das roupas. A maior parte dos estilistas de ponta, não fabrica roupas maiores do que 42″, explica Genevieve Field. E a razão disso, apontada por uma pessoa que faz pesquisa de mercado, é simples: puro preconceito.  ”Ainda existe um grande estigma com relação aos tamanhos grandes, no mercado de moda de vanguarda. Me mostre uma marca que está disposta a ligar sua imagem (e de seus licenciados) a isso, e terá encontrado uma empresa progressista”, diz Marshal Cohen.

Mas mesmo que mais estilistas se disponham a aumentar a numeração de suas peças, ainda existe a questão do mostruário. É que as peças fotografadas pela imprensa são confeccionadas em tamanho…36/38! A editora de moda senior, Maggie Mann, conta que quando eles vão fotografar alguém com medidas fora do padrão, sempre levam uma costureira para fazer adaptações e abrir as costuras. As únicas exceções acontecem quando as celebridades ganham roupas sob medida feitas por algum estilista.

Outro ponto importante, citado com bastante honestidade na matéria, é que as modelos que trabalham como plus size, nem são tão grandes assim. Elas estão mais para 42/44 do que para GGG. Uma delas, inclusive, diz que costuma levar enchimentos de espuma para rechear as roupas, quando vai posar para catálogos de marcas de tamanhos grandes.

Enquanto muitas mulheres escreveram para a Glamour para demonstrar o apreço por aquela imagem de mulher “real”, outras fizeram críticas duras, dizendo que a revista estaria estimulando hábitos pouco saudáveis e até a obesidade. Na minha opinião, isso demonstra claramente a neurose de uma sociedade obcecada pela aparência, pela magreza e pela ideia de perfeição.

Uma foto como aquela, com mulheres bonitas que assumem suas formas com alegria e sensualidade, não causa mais do que o aumento da auto-estima. A saúde é importante e deve ser cuidada, não importa aonde caia o ponteiro da balança. Uma gordinha de bem com seu corpo pode ser muito mais saudável do que uma magricela que se entompe de remédios e se priva de alimentos.

Em resumo, a revista se compromete, formalmente, a mostrar mais corpos de tamanhos variados, a celebrar as pequenas imperfeições que, afinal, nos tornam únicos, e a apoiar os estilistas que abraçarem a causa e produzirem roupas bacanas para vestir as formas arredondadas das mulheres reais.

No Brasil, o mercado de moda obedece ao mesmo padrão. As marcas do segmento high fashion  fazem roupas até o tamanho 44, e olhe lá. Os grandes magazines, como Renner e C&A, são um pouco mais democráticos, tanto no preço quanto na numeração, que atende até o 46/48. Além disso, é preciso se dirigir às lojas especializadas.

Eu mesma, no período em que trabalhei na revista Marie Claire, produzi 3 matérias sobre o tema, e senti a dificuldade de encontrar roupas que traduzissem as tendências de moda para quem tem um corpo maior do que a média.

Uma outra coisa que sempre me irrita, em manuais de estilo, é o tom de “correção”  e “propriedade” dos conselhos, tipo: ”Se você está acima do peso, procure emagrecer! Enquanto isso, use roupas de tecidos leves e soltos, que não marcam o corpo”.  Embutido nesse discurso está a mensagem de você só será chique se for magra, e até lá, deve camuflar seus defeitos sob uma boa quantidade de pano.

Ontem, coincidentemente, o programa da Hebe recebeu Preta Gil e uma turma de mulheres plus size, responsáveis pelo blog Mulherão. Preta reafirmou que não tem o menor o pudor em usar biquíni, e que processou (e ganhou) as revistas que publicaram fotos suas, na praia, com legendas ofensivas falando do seu corpo.

As blogueiras Renata Poskus Vaz, Dani Lima e Keka Demétrio, afirmaram a determinação de se assumirem como são, “gostosas e em paz com a balança”. Elas anunciaram, inclusive, que pretendem organizar uma espécie de Fashion Week para mulheres plus size, em janeiro. Preta, é lógico, foi convidada a a ocupar o cargo de top model.

Outro blog que fala sobre o tema, além do Mulherão, é gringo Fatsionista, de Amanda Piasecki e Lesley Kinzel, que tem uma comunidade colaborativa no Flickr, em que as pessoas podem postar fotos dos seus looks.

Outros posts sobre moda, design, arte e música, sem frescura:

17 comentários

  1. Tweets that mention Moda Sem Frescura -- Topsy.com

    [...] This post was mentioned on Twitter by modasemfrescura, bitinic. bitinic said: RT @modasemfrescura uma reflexão sobre padrões estéticos e moda plus size http://bit.ly/2Fdr4d [...]

  2. Luiz Pattoli

    Adorei o post! :>)

  3. Josiane Cabral

    Adorei ler essa notícia, eu canso de sentir na pele essa história de que se vc está gorda, está fora de moda. Suas palavras foram excelentes!!! Parabéns pelo site!

  4. Beth Vieira

    Pois é, há alguns anos engordei e confesso não ter ligado muito pra isso até encrencar a saúde e só por isso estou emagrecendo (até o momento quase 10 kg)..

    Qdo o assunto é moda saber valorizar determinados pontos e disfarçar outros ajuda a não se sentir vestido com um saco de batatas. No entanto, a moda é realmente malvada com as fofinhas. Nas revistas, os editoriais sempre ignoraram este padrão, exatamente pelo que foi dito no seu texto, as empresas ignoram. Uma gordinha não veste Forum, Animale, simplesmente porque não existem, estas empresas não querem ser relacionadas com este tipo estético. Se estão certos ou errados, quem somos nós para dizer, é o posicionamento da marca.

    Já trabalhei muito com Plus Size e sempre achei tudo muito caro e muito feio. Sempre lutei bravamente com os donos de confecção para desenvolver coleções mais sexies, que pudessem melhorar a autoestima e não algo que escondesse a gordinha atrás de um monte de pano disforme. De uns tres anos para cá percebi que o Plus Size tem recebido mais atenção da mídia e das empresas por uma questão de mercado, ou seja, é um nicho ainda mal explorado, mas que tem potencial.

    Assisti o programa da Hebe e acho muito lindo este discurso contra as revistas que ditam padrões, a favor da aceitação pessoal, mas… Também acho nocivo em determinados pontos. Me incomoda demais a questão da saúde. Não precisa tanto e nem tão pouco. Não venha alguém que veste 50 dizer que é tão saudável quanto alguém que veste 42, pois não é! Doenças silenciosas como arteriosclerose, esteatoses hepáticas, predisposições a tumores malignos, problemas nas articulações, hipertensão arterial… Tudo isso vem com a obesidade. E isso sem contar os problemas psicológicos que vem a reboque como a baixa autoestima, depressão e outros. Isso, porque quase sempre quem é gordinho é sedentário e a produção de endorfina pelo organismo é baixa.

    Enfim, acho que tem que existir uma medida. A moda não pode ignorar a existência deste mercado, nem a mídia. No entanto, o ideal seria cada gordinha, ao invés de tentar se encaixar em padrões estéticos buscarem um padrão saudável, só isso. O resto, vem no vácuo E até a moda, que não é burra, vem atrás.

  5. Renata Neves

    Olá…adorei o post…Sou formada em Moda e atualmete estou trabalhando em uma confecção de lingerie em tamanhos especiais (46 ao 60). E a cada dia venho procurando informações sobre este mercado, plus size, e cada dia me encanto com pessoas que se interessam nesse pequeno mercado, que merece muita atenção.
    Enfim, queria parabenizar pelas belas palavras.
    Obrigada e beijos.
    Rêh!!!

  6. Marla Monteiro

    Adorei o post! está de parabéns..
    desde hj cedo estou procurando matérias sobre esse tema.. que me interessou bastante!
    rs
    adorei!!!
    boa sorte,sempre!

  7. Cléo

    Meninas,
    para quem gosta de joias em ouro, aqui vai uma super dica de um site bacana e seguro que encontrei

    http://www.jujoias.com.br

    tem coisas muito fofas, com preço legais e estão sempre renovando as peças.

    Beijocas e boas compras!

  8. Márcia

    Parece que o mundo da moda começa a despertar para as mulheres tam. GG.
    Espero não estar errada…
    Adorei o post!!

  9. Gabryella

    pO eu assim cOm tantas curvas sOu pirada em fazer um desfile para gOrdinhas cOmO li em uma matéria ser gOrda nãO significa nãO ter caráter BeeijOs Meninas

  10. Janete

    Adorei o post.
    Como pode achar uma mulher que veste 42/44 gorda? Gente é uma mulher normal!!!! Digo por mim, sou eu, minha vizinha, minhas amigas e todas a mulheres que conheço. Eu estou cansada, nossa vc engordou? Tá ,sai do 38 para 42, não sou mais bonita por isso? Não vou ficar na moda? Não vou me sentir sensual? Vou esconder?
    Parabéns pelo post, e espero que essa visão de beleza é magreza mude. Bjo

  11. flávia d.

    vamos ver o quanto isso é um modismo politicamente correto e o quando vai mudar na prática.

    uma das capas com modelo gg que eu mais gostei foi a da key c/ a dani bonani pois rolou nenhum “vejam como somos cool, colocamos uma gorducha na capa”. ela tava na capa pq é bonita e sexy e ponto, não pq é legal dar espaço pras “plus size”.

    e é legal ter uma semana de moda especial com essas grifes pra gente saber onde elas se escondem mas, no fundo, é meio triste…. não quero ser “especial”, num mundo ideal todas as grifes teriam desde o PP até o GGG.

  12. Biti Averbach

    oi flavia! concordo totalmente com vc: as grifes deveriam ter tamanhos maiores. esse negócio de roupa pra gordo parece coisa de gueto, de segregação.
    nas matérias q já fiz sobre o assunto, ouvi de alguns estilistas que os gordinhos, em geral, não são proporcionais, um tem mais barriga, outro tem culotes, outro tem o corpo redondinho, enfim… os estilistas alegaram que é difícil fazer uma modelagem que vista bem em todos. isso faz sentido, mas pelo menos até o tamanho 46/48, acho que todas as marcas deveriam ter. o curioso, que observei, é que nas marcas masculinas, é comum encontrar essas numerações maiores. prova de que é viável, né!
    bjks

  13. Moda Sem Frescura » TPM, mulheres e padrões estéticos

    [...] matéria da revista Glamour, sobre modelos plus size, ou gordinhas, em bom português, e aqui está o link, pra quem quiser [...]

  14. lincoln morales

    ola sweet lides
    estou montando uma confecçao pra pessoas mais cheinhas ou gordinhas
    gostaria de dicas , do que gostam do que curtem , nao quero fazer apologia mas quero chegar onde vcs gostariam. fica aqui meus respeitos.

  15. Biti Averbach

    Olá Lincoln

    Pela minha experiência, as mulheres, sejam gordinhas ou magras, querem se vestir bem, com peças que valorizem seu corpo e seu estilo pessoal. Simples assim! Não é porque a mulher veste 46 ou mais, que ela quer abdicar das tendências da estação. O segmento plus size tem muito potencial para ser explorado, no Brasil. Espero que dê certo! abs,

    Biti

  16. mara carlo

    Olá, adorei a ideia de mulheres acima do peso, posarem. os estilistas e outros da area da moda, fazem roupas so para pessoas magras e isso é um absurdo. todos nos sabemos que as roupas sao feitas para pessoas magras para nao gastarem tecidos. na maioria das vezes sao estilistas gordos e feios, digo, nao são todos assim.
    Eu gostaria de alguns endereços para modelos fotograficos gordinhas.

  17. Bia

    Adorei essa matéria, e estou adorando esse blog…eu estava navegando a procura de roupas e matérias para gordinhas e aqui estou eu…
    Descobri que existe sim vida acima do manequim 44! kkkk
    Vou atrás de fazer um book, que sabe não levo jeito? rsrsrs
    Um abraço

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