Archive for the 'entrevista' Category

21
Nov

PINÇA CULTURAL

 Graças ao feriadão, finalmente consegui colocar em dia a leitura das minhas revistas nacionais favoritas: a Rolling Stone e a Piauí. Deixo aqui algumas sugestões de matérias que se destacaram, para o bem e para o mal, na minha humilde (porém firme) opinião:

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  Na Rolling Stone

*Até a presente edição, não tinha botado reparo na seção Vida Pop, escrita por Miguel Sokol. Adorei o tom mal-humorado do texto, muito bem escrito, sobre as popices do momento: o fenômeno Capitão Nascimento, o lançamento do disco do Radiohead (”Era o que faltava: ter que examinar minha consciência para comprar um disco.”), e o vídeo de sexo da Meg White (”Tá bronzeada demais para se ela. Volta. Mas é a cara dela! Volta. Mas não tem ritmo nenhum! Ritmo Nenhum? Então só pode ser a Meg White mesmo.”)

*Quem se preocupa com o aquecimento global e o destino do nosso sofrido planetinha, precisa ler a matéria “O Profeta”, de Jeff Goodell, em que o polêmico cientista James Lovelock dispara teorias alarmantes sobre o que nos espera. 

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Acima, James Lovelock em foto do acervo pessoal/R&S

 “Nosso futuro”, Lovelock escreveu, “é como o dos passageiros em um barquinho de passeio navegando tranqüilamente sobre as cataratas do Niagara, sem saber que os motores em breve sofrerão pane”. E trocar as lâmpadas de casa por aquelas que economizam energia não vai nos salvar. Para Lovelock, diminuir a poluição dos gases responsáveis pelo efeito estufa não vai fazer muita diferença a esta altura, e boa parte do que é considerado desenvolvimento sustentável não passa de um truque para tirar proveito do desastre.

*Para fincar os dois pés no chão e cair ainda mais na real, é bom ler a matéria “Vida Severina” de André Pessoa, sobre a realidade de Guaribas, cidade-símbolo do Fome Zero.

*Sobre a reportagem de capa sobre o Police: não vou ver o show e já estou com preguiça da superexposição midiática a que vamos ser bombardeados por causa da reunião do trio de roqueiros cinquentões, mas mesmo assim, li a matéria e recomendo.

*Quem viu o filme “Quase Famosos”, de Cameron Crowe, vai gostar de ler a lendária entrevista feita pelo garoto de 17 anos com uma das maiores bandas dos anos 70.

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*Já a matéria “Rainha do Veneno”, escrita por  Erik Hedegaard é de uma superficialidade apenas superada pela do próprio protagonista: o gorducho mais peçonhento da internet, que atende pelo codinome de Perez Hilton e publica o blog homônimo, recheado de fofocas e piadas sobre celebridades. Veja a figura na foto acima, de Peter Yang.

A matéria nos informa que ele foi uma criança obesa e preguiçosa que passava a maior parte do dia na cama, assistindo TV. No tempo restante era zoado pelos colegas por ser balofo e afeminado. Que ele tenha conseguido transformar sua frustração de outsider num blog de sucesso, que contabiliza 7 milhões de acessos e fatura algo em torno de 250 mil dólares, me parece mais um sintoma da nossa sociedade imagética doente, do que um antídoto. 

Dá para perceber que o culto à celebridade não é um assunto que me interessa muito, a não ser pelo viés crítico. Mas como tem muita gente que adora, cito algumas referências nacionais do gênero, como o Papel Pop editado por Phelipe Cruz, o Garotas Estúpidas e o Te Dou um Dado. Tinha também o Papel Pobre –uma paródia do blog de Phelipe Cruz, só que mais debochado– que fez muito sucesso em 2007 e era assinado por duas pessoas sob o codinome Katylene Beezmarky. O Papel Pobre chegou a contabilizar centenas de comentários em um único post, foi notícia em vários sites, mas foi deletado quando uma blogueira revelou a identidade de um dos seus criadores.

Enquanto isso…na revista Piauí

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*Se for para falar/fofocar sobre gente famosa, sugiro a leitura de “Leve, Alegre e Triste”, matéria de John Lahr  publicada na revista Piauí, contendo a segunda parte do diário do crítico inglês Kenneth Tynan (a primeira metade saiu na Piauí de outubro e também está disponível no site). Mesmo sem ter nenhum conhecimento prévio sobre o autor, achei o texto delicioso: ele revela não só a personalidade fascinante de Tynan, como as histórias bizarras e picantes de algumas das maiores celebridades de Hollywood do século 20, como Elizabeth Taylor, Richard Burton, Marlon Brandon, Gore Vidal e Noel Coward, entre outros.

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Acima, Kenneth Lynan (travestido de mulher,) e a esposa Kathleen

*A arquitetura carioca recebe homenagem de Danuza Leão e Fernando Serapião, na matéria “Morar à beira-mar”. Lindas aquarelas e relatos curiosos traçam o perfil da cidade.

* “Foco Distanciado”, de Dorrit Harazim, me fez ter vontade de conhecer a obra incômoda da cineasta e documentarista Maria Augusta Ramos, autora de “Justiça” de 2004 e de “Em Juízo” que deve estrear em março de 2008.

*Paro por aqui: como sempre, sobrou revista e faltou feriado. Quem sabe eu consiga terminar a Piauí no final de semana…Mas ainda quero ler a revista Dobras, há dias que não toco na “Trilogia de Nova York” do Auster, e pensei em começar um livro do Jonathan Safran Foer…

*E você? Quer dar umas dicas dica do que anda lendo? Deixe aí nos comentários!

02
Jul

Novidade à vista no BlogView!

O projeto coletivo BlogView começa uma nova fase à partir de domingo, dia 01/07. Para deixar o blog mais dinâmico, divertido e interessante, a cada dia da semana um dos 7 integrantes publicará uma coluna falando de assuntos que dizem respeito ao seu universo. A programação é a seguinte:

Aos domingos, Ricardo Oliveros, do Fora de Moda, fala das conexões entre moda e arte

Às segundas, Luigi Torre, do About Fashion, analisa os novos rumos do guarda-roupa masculino

Às terças, Fê Resende e Cris Zanetti, da Oficina de Estilo, traduzem a moda para a vida real

Às quartas, Glauco Sabino, do Descolex, revela uma visão alternativa do consumo e do streetwear

Quinta é o dia de Olívia Hanssen, do OH!, , antenadíssima com tudo o que rola no mundinho fashion, nos brindar com notinhas e novidades

Na sexta, eu, Biti Averbach, do Moda Sem Frescura, irei contribuir com comentários sobre estilistas, revistas, fotógrafos, modelos, etc.

E no sábado, Laura Artigas, do Moda pra Ler, vai estimular nossa curiosidade com entrevistas instigantes e inteligentes

Fiquem ligados!

31
Mai

Franca Sozzani, uma pessoa lúcida

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Meu amigo Cristiano, fotógrafo, já havia me alertado que a entrevista com Franca Sozzani, publicada no site do IQONS valia a pena. Só hoje consegui ler, e achei mesmo muito interessante. Ela fala das mudanças recentes que implementou na revista L’uomo, que agora só fotografa homens reais, ao invés de modelos, porque segundo ela “os homens não funcionam da mesma maneira que as mulheres. Mulheres olham para uma imagem e sonham. Homens querem ler, entender, querem um novo estilo. Então eu eliminei os modelos. Eu não queria mais pessoas que não fossem reais. E aí a coisa se torna transversal: eu vou da nova banda nova iorquina até pessoas de 70 anos.”

Fala sobre criatividade (numa tradução aproximada, feita por mim): ”Rei Kawakubo, por exemplo, continua a inovar a cada estação, depois de tantos anos. Você pode não gostar, mas ela continua a criar. Ela é tão boa, ela é meu ícone, porque a cada estação ela cria esse diálogo de pesquisa em torno de si,  mas ela também ofereceu a oportunidade a outros, como Tao, Undercover e Junya Watanabe, para que eles expressasem suas próprias visões pessoais. Ela é tão avançada em seu design que, até eu digo isso, nunca vestiria muitas das suas roupas que ela faz. Eu as compro porque acredito nela, e então alguns anos mais tarde eu me pego vestindo aquelas roupas!”

E tem muito mais, sobre street style (sim, ela também gosta de sites como Face Hunter), futuro, a revolução da internet, e o lançamento de novos talentos, incluindo um projeto com o Brasil . Está tudo AQUI.

Uma coisa que eu não entendi, em relação à revista Vogue italiana, é esta última capa, que você vê acima. Sem dúvida é uma imagem linda, mas não se parece com as capas feitas nos últimos anos, muito mais conceituais e estranhas. Será que vem mais mudança por aí? As próximas edições talvez respondam à minha pergunta. Vou aguardar.

 

23
Mai

Ronaldo Fraga em São Paulo

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Quer saber mais sobre a abertura da loja de Ronaldo Fraga em São Paulo? Então veja este post incrível do Glauco Sabino no BlogView. Clique aqui!

14
Mai

Carol Demarqui + Carol Pantoliano

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Caroline Demarqui (15 anos, à esq.) e Carolina Pantoliano (17, à dir.) são duas modelos de sorte: têm um tipo físico que está em alta no momento –rosto fino e delicado, corpo esguio e cabelos escorridos–, à semelhança de Daiane Conterato, a new face brasileira cuja beleza fora do padrão já conquistou espaço em revistas e desfiles importantes da Europa.

No dia 23 de março, as duas meninas, Demarqui e Pantoliano, estiveram num estúdio fotográfico em São Paulo para fazer um editorial de moda com o fotógrafo Rogério Cavalcanti, veiculado no site do São Paulo Fashion Week. Foi lá que eu conversei com as duas novatas mais promissoras do momento.

Enquanto Carolina Pantoliano está sendo maquiada, converso com a Carol Demarqui. Ela me conta que tem 15 anos, nasceu em São Bernardo do Campo (SP), e é modelo há 1 ano. Em sua primeira e recente temporada em Nova Iorque, conseguiu desfilar para Marc Jacobs e Kenzo, o que não é para qualquer uma. O editorial de moda que fará neste dia chuvoso de SP, será o terceiro de sua carreira. Falante e desinibida, Carol Demarqui conta que a semelhança física com Daiane Conterato já rendeu muitas risadas e algumas confusões. “Já teve estilista que veio falar comigo na rua pensando que era a Daiane. Até na agência houve confusão, porque  mandaram a gente para fazer provas de roupa trocadas!”

Esse tipo de coisa, que poderia gerar ciúme, é levado na esportiva, já que as 3 garotas são amigas. “A gente brinca dizendo que eu e a Daiane somos casadas e temos uma filha que é a Carol Pantoliano”, diz. Ela parece ter consciência de que ser parecida com Daiane é bom só até certo ponto, porque enfatiza que a qualidade mais importante para uma modelo é ter personalidade própria. Quando pergunto sobre seu próximo sonho profissional, a resposta vem rápida: deixar de fazer só as provas de roupa da Prada e ser escolhida para o desfile.

Agora é a vez de conversar com Carolina Pantoliano, a paulista de 17 anos que depois de apenas 4 meses ”pegou” os desfiles da Prada, Louis Vuitton, Kenzo, Miu Miu e outros 34 (!!!) numa tacada só. “Foi bem difícil porque eu cheguei em Nova Iorque e não sabia nada, nem andar na passarela. Meu primeiro desfile foi para Donna Karan e eu estava muito nervosa, com medo de tropeçar ou fazer alguma coisa errada. Agora já sinto prazer em desfilar.”

Ela parece mesmo ser o tipo de garota que aprende rápido. Folheando as páginas da revista Vogue Italia, Carol Pantoliano confessa que sonha em fazer um editorial com o fotógrafo Steven Meisel. Ela já sabe bem qual é a importância de cair nas graças de figuras influentes como Meisel ou Mario Testino, a quem já foi apresentada, já que eles podem alavancar a carreira de uma modelo do dia para a noite.  Quando pergunto sobre as qualidades indispensáveis para ter sucesso na profissão, ela enfatiza que é preciso saber trabalhar em grupo e não ficar se achando “o máximo”.

Na minha opinão, estas meninas estão no caminho certo! Boa sorte!

ensaio-daianes.jpgAqui, Carol Pantoliano

ensaio-daianes-demarqui.jpg Aqui, Carol Demarqui

Fotos: Rogério Cavalcanti / Styling: Juliano Pessoa e Zuel Ferreira / Beauty: Eliezer Lopes

16
Abr

Tom Ford para poucos e bons

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Tom Ford inaugurou sua primeira loja em Nova Iorque, há uma semana. Nesta entrevista para o jornal Daily News, ele confirma que o foco da marca é a criação de peças de altíssima qualidade, com corte apurado e estilo atemporal. Diz que está cansado do culto das celebridades e que fez a loja –um mix de ateliê de alta-costura e confecção industrial– para ter onde encomendar o guarda-roupa da estação. Para ler a entrevista, clique aqui.

15
Abr

Bagagem pop

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A livraria Toc na Cuca está vendendo a edição comemorativa de 35 anos da revista Interview. São 7 volumes, luxuosamente acomodados nesta maleta com rodinhas. Em cada livro, uma “especialidade da casa”, tipo: as melhores entrevistas feitas pelo próprio Andy Warhol, as imagens de moda mais expressivas e todas as capas da primeira década da publicação. Eu não sei quanto custa, mas EU QUERO MUITO! Neste exato instante estou babando no teclado do computador.

Aliás, eu li no InVitro, que a GOOD Magazine, elegeu as 51 revistas mais bacanas de todos os tempos . Não por acaso, a Interview aparece em 9º lugar, especialmente na fase supervisionada por Warhol, que vai de 1969 a 1988.

04
Abr

Os blogs vão dominar o mundo?

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Os blogs estão ganhando espaço na mídia impressa mainstream. Na revista Claudia de abril tem uma matéria ótima, escrita por Lina Albuquerque, sobre blogueiras nacionais bem sucedidas. São citados os blogs Mme. Mean, Mothern, Coráculo, Drops da Fal, entre muitos outros.

Algumas páginas antes, na mesma revista, a escritora e roteirista Nora Ephron (autora de Harry & Sally e Sintonia de Amor), diz que gostaria de ter Meryl Streep em seu próximo projeto: um filme sobre uma mulher que faz todas as receitas do livro de culinária de Julia Child e depois escreve sobre elas num blog. “Também será um filme sobre amor, casamento e sobre blogar”.

Meryl Streep blogando num filme hollywoodiano! UAU!

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01
Abr

A moda é uma deusa muda

Curiosa a reportagem publicada hoje na coluna da Mônica Bergamo, sobre Madame Rucki na 25 de Março. Mostra bem algumas facetas do universo fashion made in Brazil. E me lembrou que tenho ainda algum material para postar, extraído das conferências com ela.

Falando sobre o preço elevado das roupas: “Me disseram que no Brasil as roupas são muito caras. Bom, é preciso dizer que a moda precisa do sonho. Aquela roupa maravilhosa, cujo preço é 3 vêzes o valor do seu salário, custa caro por muitos motivos, pela qualidade, pelo tecido, pelo acabamento. Então você precisa economizar para tê-la.”

“O gosto é uma característica que pode ser desenvolvida, como a inteligência.”

“Não há explicação para a genialidade dos criadores e é isso que é realmente fascinante.”

“As pessoas, quanto mais criativas, mais precisam trabalhar para saciar sua mente.”

“É preciso estudar os ciclos de criação. Nos séculos 18 e 19 há uma evolução dos volumes, dos vestidos retos até aqueles com crinolinas, mas não há uma verdadeira criação. No início do século 20 aparecem Poiret, Chanel e Balenciaga…”

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“Com Poiret surgiu o conceito de estilista como conhecemos hoje. Ele era um criador intuitivo, descartou os corseletes da Belle Epoque e inventou a silhueta solta, inspirada no período do Diretório, usando tecidos orientais (veja ilustração acima). Chanel, por sua vez, tinha uma expressão oposta a Poiret. Ela democratizou a moda optando pela simplicidade, pelo pretinho básico. Também disseminou o uso do tailleur, concebido como uma versão feminina do terno dos homens. Era um traje pensado para corresponder às novas atividades da mulher, depois da Segunda Guerra Mundial, e levava em conta o espírito da época, como a crescente velocidade e os deslocamentos aéreos. Mas ela não inventou uma roupa.”

Na foto abaixo, o clássico tailleur Chanel.

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“Já Balenciaga foi um inventor. Ele criou, do ponto de vista técnico, o vestido chemisier. Sua roupa tem relação com a arquitetura da época (anos 50), por sua característica abstrata.” Veja foto abaixo.

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“Nos anos 50, o jeans é introduzido na moda, graças a filmes com Marlon Brando e James Dean. Perceba que o fenômeno da celebridade influenciando a moda, já estava acontecendo aqui.  Nos anos 60 surge a minissaia, uma grande revolução em termos estéticos, em sintonia com o que acontecia na sociedade, como a liberação sexual, a pílula, etc. Nos anos 70, a conseqüência natural é o movimento hippie. Nos anos 80, os japoneses, como Rei Kawakubo e Yohji Yamamoto, vêm mostrar que roupas despedaçadas podem ter elegância. O trabalho de Kawakubo acompanha o trabalho da coreógrafa Pina Bausch, que vê o mundo de forma explosiva e caótica.” Abaixo, foto do desfile de Kawakubo, outono de 1999.

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“Viktor & Rolf usam a moda para se expressar, mas não seguem as regras da criação da moda. São como artistas de circo. Inovar seguindo as regras das vestimentas é muito mais difícil e mais importante. O trabalho deles se insere no terreno da performance artística.”

viktorrolf-ultimo.jpg aqui, foto do último desfile de Viktor &Rolf, por Marcio Madeira.

“A moda é uma deusa muda que se afasta quando nos aproximamos dela.”

25
Mar

O diabo veste Calvin

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Muito boa a entrevista com Francisco Costa, estilista da Calvin Klein, publicada na páginas amarelas da Veja desta semana. Destaco algumas partes, mas recomendo a leitura integral.

 Veja – Não é impossível ficar fora do clima de O Diabo Veste Prada?
Costa –
Sou muito exigente. Detesto preguiça, gente que não gosta de pensar. Fico instigando quem trabalha comigo o tempo todo, e algumas pessoas já saíram da minha equipe. Disseram que não agüentavam mais a pressão. Mas moda é isso. Se você está ali para competir, tem de saber que trabalha 24 horas. Não é uma área light. É pesadíssima, com pressão de todos os lados. É um martírio. Você se expõe em lojas e revistas, seu trabalho está sempre em evolução e à disposição do mercado. Mesmo quando não está trabalhando, precisa estar ligado em tudo para buscar inspiração. Sou muito intenso no trabalho, deixo todo mundo louco.”

Veja – Vestir celebridades é uma atividade essencial na moda de hoje. Como é participar da guerra entre grifes para dominar o tapete vermelho?
Costa – Para ser honesto, acho essa parte da moda um saco. A briga entre os figurinistas das atrizes e os estilistas das grifes é tamanha que a relação perdeu o respeito. Dois anos atrás, quando Hilary Swank concorreu a vários prêmios com Menina de Ouro, fiz o vestido dela para a entrega do Globo de Ouro. Depois, pediram que eu também criasse o que ela usaria no Oscar. Não só fiz o modelo como encomendei um cinto de diamantes no valor de 3 milhões de dólares que era um escândalo. Fiz umas oito provas do vestido com a Hilary. Mas, no dia, para nossa surpresa, ela apareceu no Oscar com um modelo de outra grife. Foi um desastre. Não vejo glamour nessa história. É uma guerra da qual todos somos obrigados a participar, mas esse mundo da moda voltada para as celebridades não é chique, ficou muito vulgar. Para piorar, hoje muitas delas têm as próprias linhas de roupa. Acho um absurdo ver o Puff Daddy (cantor de rap que é dono da marca Sean John) receber o prêmio de melhor estilista do ano. Isso é uma desmoralização.

Veja – É uma tarefa difícil substituir um ícone americano como Calvin Klein. Qual deve ser a sua marca pessoal na grife?
Costa – Em seus 35 anos de carreira, Calvin optou pelo minimalismo. Entrar ali e fazer o mesmo que ele fez seria medíocre. Finalmente, depois de quatro anos, acho que cheguei à nova essência, a um balanço, na coleção apresentada em fevereiro passado. É um minimalismo atual, mais sexy, mais feminino, um pouco mais decorativo para driblar a competição. Hoje, você tem de oferecer mais: ninguém quer um blazer de três botões simplesmente por ser um blazer de três botões. Isso ele encontra hoje nas linhas mais populares. Tenho de oferecer algo diferente.

Veja – O que é chique hoje? Você concorda com os estilistas que falam que é possível usar tudo hoje em dia?
Costa –
Não dá para ser chique usando tudo o que se quer. É claro que hoje existem muitas opções na moda. Mas ser chique é conhecer o próprio corpo, entender de proporção. Se você tem pernas bonitas, pode ter como assinatura uma saia num determinado comprimento que as mostre. E também acho que ser chique é ser clássico, não é seguir todas as tendências que aparecem. Isso é coisa para um mercado mais popular. O estilista tem a função de instigar, de agir como antena do dia-a-dia, do mundo em que vivemos hoje. Mas a mulher não pode ir atrás de todas as novidades.

Veja – E as brasileiras? Qual é o grande pecado que cometem no vestir?
Costa –
Sabe o que eu detesto? Barriga de fora. Digo para as minhas sobrinhas: que barrigada de fora é essa o tempo inteiro? Acho péssimo. Também acho que a brasileira está complicando muito, usando jeans com muitos detalhes, por exemplo. Seria bom voltar à simplicidade. A brasileira acerta mais quando está natural. A gente já tem fama de ser muito sensual. Se usar muita coisa, vulgariza. Entendo que a exuberância brasileira vem das formas da natureza. Mas cresci cercado pela simplicidade. A arquitetura dos sobrados mineiros, por exemplo, é de linhas minimalistas. Minha irmã se vestia muito de branco, com roupas feitas de algodão. Existe essa simplicidade quase monástica na essência do trabalho do Calvin, que é muito parecida com as imagens da minha infância e da minha adolescência

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janelinha





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