Kiko Farkas: som traduzido em imagem

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03mar . 10 23:28

Kiko Farkas, designer gráfico dos mais brilhantes, lança na próxima terça-feira “Cartazes musicais”, exposição e livro com cerca de 300 posters, criados entre 2003 e 2007 para a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp).

Compostos por elementos aparentemente simples, os cartazes parecem ter a capacidade de traduzir a música em poesia visual.  É como se os símbolos gráficos se transformassem em notas musicais, numa partitura complexa, cheia de ritmo, genial.

No texto de apresentação do livro, a designer norte-americana Paula Scher, criadora dos cartazes para o Public Theater de Nova York, define bem:

“Este pequeno grande livro de Kiko Farkas contém, página a página, todos os ingredientes de um cartaz irresistível: escala, forma, complexidade, padrão, textura, perspicácia, exuberância, linha, cor, minimalismo, tensão, força, lirismo, contenção e surpresa. Muitos dos cartazes são pictóricos e formalistas. Outros são conceituais. Todos são supreendentes em sua diversidade, enquanto a qualidade permance constante”.

Lançamento: Cartazes musicais (Editora CosacNaify)
Dia: 9 de março, às 20hs
Centro Universitário Maria Antonia [Hall de entrada do Edifício Joaquim Nabuco]
Rua Maria Antônia 258, Vila Buarque – São Paulo (SP)
Mais informações: (11) 3255-7182

cliques de mestre

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08jan . 10 18:35

Esta semana, na seção Tesouros Sem Frescura, Liliane Oraggio dirige o olhar para a obra de um grande fotógrafo, mestre em captar a essência das coisas banais. Espia só!

Foto: Walker Evans / 1937

Peguei o metrô para ver a mostra de Walker Evans, que fica no Masp até dia 10. Fui reparando nas pessoas que entravam e saiam dos vagões, no sábado chuvarento. Namorados entrelaçados pelas mãos. Mãe preta e filho dormindo no seio generoso. Olhar perdido no rosto do homem que tinha o susto congelado na cara. Tão bonitos… tão de verdade. Estava sem a câmera, mas fiz mentalmente esses registros das múltiplas formas humanas, tentando fixá-las em pleno trânsito.

Eu sabia que Evans tinha sido um dos mais importantes fotógrafos americanos, que a exposição era composta por 120 imagens feitas nos Estados Unidos, entre 1920 e 1970. Além de usar a câmera para esquadrinhar a geometria das cidades, eu não sabia que a expressão espontânea estava sempre na mira de suas lentes. “As profundezas do metrô são um lugar onírico para qualquer fotógrafo farto dos estúdios”, dizia Evans, anunciando o modo que encontrou para escapar do que era produzido, previsível, ensaiado, registrado em ambientes artificiais, ou seja, de tudo o que se fazia naquela época. Mantendo a mesma qualidade técnica e estética, com um faro antropológico, ele foi clicando as cenas cruas. No metrô de Nova York é inverno. As pessoas estão vestidas, mas os gestos estão nus. Homens, mulheres, crianças são notáveis porque são vivos e são comuns. Essa grande transgressão, que rompeu na década de 30, libertou Evans e seus retratos marcaram a história da fotografia.

Na outra sala, a série de polaróides é outra emoção. Nos anos 70, munido de uma SX-70, Evans quebra a resistência à revelação instantânea e firma com ela um novo pacto com a liberdade. Finalmente, as imagens servem ao real e ao instante, sem distrair o foco do belo meramente contemporâneo.

Fica a inspiração: enxergar o exuberante daquilo que-é-o-que-é, o que combina perfeitamente com as nossas câmeras digitais. Seria Evans uma espécie de bisavô da nossa sede de imagens?

Exposição até 10 de janeiro de 2010, no MASP – Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand
Avenida Paulista, 1.578 (telefone: 11 – 3251-5644)
Horários: De terças-feiras a domingo e festivos, das 11h às 18h.
Às quintas-feiras, das 11h às 20h. Ingressos: Inteira: R$ 15,00.
Estudantes: R$ 7,00. Gratuito até 10 anos e para maiores de 60 anos.

Por Liliane Oraggio

Beleza aprisionada

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19nov . 09 10:29

Tempos atrás, fiz um post sobre a questão dos padrões estéticos femininos, que falava também dos concursos de beleza de mini miss, muito populares na America do Norte. Pois é exatamente este o tema da exposição “Hight Glitz, The Extravagant World of Child Beauty Pageants” da fotógrafa Susan Anderson, em cartaz na Kopeikin Gallery, em Los Angeles.

As imagens são impactantes: crianças aprisionadas em cascatas de cachos, congeladas em sorrisos e poses pré-moldados. Caricaturas miniaturizadas de um sonho distorcido de beleza artificial, onde não há lugar para o espontâneo, para o imprevisto, para a ingenuidade. Essas meninas parecem aves bizarras, empalhadas, laqueadas.

(via blog da Cavalera)

a diversão e o tédio

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07jul . 09 23:28

oliver-expo

“O tédio é um tecido cinzento e quente, revestido por dentro com a seda das cores mais variadas e vibrantes. Nele nós nos enrolamos enquanto sonhamos”. (Walter Benjamin, filósofo)

Este sentimento, também conhecido como enfado, aborrecimento ou fastio, é o tema da primeira exposição individual de Oliver Quinto –amigo querido e ex-colega de trabalho, da época em que fui de editora de moda da revista Marie Claire– que será inaugurada amanhã, na Coletivo Galeria.

Lá, além das aquarelas, uma instalação vai mostrar os inúmeros significados do tédio, segundo o autor e os retratados. Como o tema é pouco usual, telefono para perguntar a Oliver o por quê da escolha. A resposta é desconcertante: “porque as pessoas passam a maior parte da vida sentindo tédio, ou suas variações”.

Argumento que é uma resposta… um tanto blasé (termo que designa uma versão esnobe de tédio). “Você precisa de uma resposta mais inteligente? Posso procurar alguma no Google”, diz Oliver, com o humor peculiar que conheço bem. Rimos  e concordamos que isso só seria necessário caso eu também fosse procurar por perguntas inteligentes. No Google, é claro.

Seja para espantar o seu próprio tédio ou confrontar o alheio, apareça na vernissage.

Exposição: “O Tédio Segundo Oliver Quinto”
Local: Coletivo Galeria – Rua dos Pinheiros, 493 – Pinheiros – SP- tel. (11) 3083-6478
Abertura dia 8 de julho de 2009, às 19:30
Funcionamento: de terça a sexta das 15 às 20 hs, sábado das 14 às 19hs

Mas se o seu tédio for causado pelo trabalho, tenho ainda uma outra dica: compre o  “Caderno de rabiscos para adultos entediados no trabalho”, de Claire Fay. Em formato brochura, ele contém desenhos e atividades que irão confortá-lo durante reuniões insuportáveis e outros eventos chatíssimos e estressantes. Quer alguns exemplos? Lá, você pode desenhar a vaca indo para o brejo, colorir o sapo que você acabou de engolir, ou encher aquele colega “mala” com tachinhas, entre outras opções lúdicas e desopilantes.

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Acima, a capa do “Caderno de rabiscos para adultos entediados no trabalho”, de Claire Fay. À venda na Livraria Cultura por cerca de R$ 15, com direito a risada grátis.

passado de papel

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15out . 08 2:43

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 Não deixe de ver a exposição Papiers à la Mode, que está em cartaz na Faap e apresenta uma série de réplicas de trajes históricos feitos de papel, em tamanho natural.  

A exposição –cuja autoria é da artista belga Isabelle de Borchgrave, com colaboração da figurinista canadense especializada em ópera, Rita Brown já passou pelo Victoria & Albert Museum, em Londres e pelo Fashion Institute of Technology, em Nova York. 

Usando apenas tintas, dois tipos de papel e a técnica de tromp l’oeil, Isabelle reproduz com perfeição tecidos, bordados e estampas de vestes históricas. Já Rita Brown  é responsável por dar forma tridimensional às peças.

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O resultado é tão próximo da realidade que, à primeira vista, tem-se a impressão de que o intuito é meramente fazer um tour pela história da moda. Mas é bem mais do que isso. Nestas pinturas transformadas em esculturas, aparecem questões sobre a passagem do tempo, o envelhecimento do tecido, a transitoriedade do papel, a impermanência da moda, entre outras.

Como diz o texto de Denise Pollini, no catálogo da exposição: “ao recriar modelos significativos da história da moda no papel, retirando, como a própria Isabelle afirma, a morbidez da memória do corpo que os habitou e a lembrança da perda, ela retira também o aspecto frenético da moda e nos apresenta a possibilidade da contemplação. (…)

Como se pudéssemos parar por um instante o carrossel delirante da moda e, na superfície, dar-nos a conhecer o vestido abajur de Poiret, as múltiplas cores de seda plissada de Fortuny, a sutileza de um padrão, de um dobra”.

“Ao recriar um modelo, Isabelle nos apresenta a verdade secreta presa à superfície, à espera de um olhar atento para revelar-se.”

De fato, a superfície não deve ser desprezada, pois ela é capaz de nos revelar uma infinidade de coisas. Aqui, vale lembrar a célebre frase de Oscar Wilde: “Somente as pessoas superficiais não julgam pelas aparências. O mistério do mundo está no visível, não no invisível.” 

É impossível não lembrar, também, do projeto “A Costura do Invisível” do estilista Jum Nakao que colocou na passarela, em pleno São Paulo Fashion Week, uma série deslumbrante de vestidos confeccionados em papel vegetal. No final do desfile, foram todos propositalmente rasgados e destruídos pelas modelos, diante de uma platéia atônita.

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(à esq. vestido de Jum Nakao, à dir. obra de Isabelle de Borchgrave, ambos de papel)

Apesar de serem duas obras muito distintas, elas se relacionam de maneira  interessante, não? Enquanto Isabelle recria o passado com precisão, Jum Nakao o reinterpreta perfurando a superfície do papel e estilizando as modelagens de época. A artista belga quer que suas peças perpetuem a beleza dos trajes antigos para além do seu passado; o brasileiro as constrói já destinadas a serem efêmeras. Isabelle enaltece o sistema da moda, Nakao o critica e parte para o rompimento.

Voltando à exposição Papiers à la Mode, quem quiser brincar de fazer vestidos de papel ou levar para casa um pouco do universo da artista, pode conferir o mimo, exclusivíssimo, à venda na lojinha do museu da Faap. Eu fiquei babando por essa pequena jóia, o “Atelier de Papier” de Isabelle de Borchgrave.

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As informações a seguir foram enviadas pela assessoria de imprensa:

 Trata-se de uma charmosa caixinha (40cm por 22cm) construída artesanalmente, recheada de gavetas e compartimentos revestidos com papéis pintados a mão pela própria artista. Em seu interior, há também um manequim, dois delicados vestidos em miniatura, stencils, manual de instruções e todo material necessário para que se faça em casa dois modelitos do século XIX: uma jaqueta masculina e um vestido de festa.

As caixinhas fazem parte de uma edição limitada criada especialmente para a exposição no Brasil. São apenas 30 unidades numeradas e assinadas pela artista que serão vendidas na loja da FAAP. (Preço sob consulta)”.

Exposição Papiers à la Mode 

Data: De 12 de Outubro a 14 de Dezembro de 2008
Horários: de 3ª a 6ª feira, das 10h00 às 20h00.
Sábados, Domingos e Feriados, das 13h00 às 17h00.
Local: Museu de Arte Brasileira da FAAP
Endreço: Rua Alagoas, 903 – Higienópolis
01242-902 São Paulo SP
Tel: 55 11 3662-7198

(fotos: Divulgação)

japonismo

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21jun . 08 1:49

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 Hoje eu tive tempo de percorrer, com bastante calma, a exposição Olhar Contemporâneo, que é uma das grandes atrações deste SPFW. Todos os grandes mestres japoneses, que tiveram forte influência na moda do ocidente, estão lá: do precursor Kenzo (que está prestigiando o evento), passando por Rei Kawakubo e Junya Watanabe, da Comme des Garçons; Issey Miyake e Yohji Yamamoto;  até o “novato” JunTakahashi, da Undercover.

Fiquei emocionada de ver, tão de perto, roupas tão especiais que eu só conhecia por meio de fotos, em revistas e sites. Foi como estar na presença da própria história.

Parecia que aquelas peças –testemunhas de uma revolução feita de tecido, costura e imaginação– apesar de estarem temporariamente congeladas nos manequins, poderiam ganhar vida novamente, em algum corpo, a qualquer momento. Afinal, as idéias contidas ali alargaram as fronteiras da moda, renovaram conceitos, trilharam caminhos inéditos. E, ainda hoje esses idéias estão vivas, elas comunicam o novo.

Por isso mesmo, quando me refiro a um destes estilistas, não me furto a denominá-los de criadores.

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De cima para baixo: looks de Yohji Yamamoto, Kenzo, Junya Watanabe e Issey Miyake.

Veja mais fotos no meu FLICKR!

+ programação

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15mar . 08 13:38

No roteiro do fim-de-semana faltou incluir a inauguração do novo espaço da galeria Mezanino, com a expo “Arquitetura da Imaginação”.

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a arte da sublimação

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07fev . 08 12:13

Sábado tem programa bacana para quem gosta de arte: a abertura da exposição Sublime!? na Galeria Emma Thomas. Entre os participantes, destaco os fotógrafos Marcio Simnch e Paulo Bega, que já apareceram aqui no blog. E vou lá e depois conto como foi, ok?

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conexão brasil-japão

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04out . 07 20:23

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Vale a pena fazer uma visita à Livraria e Galeria Pop para ver a exposição de duas ilustradoras: a japonesa Aya Kato e a brasileira Elisa Sassi (imagens acima, respectivamente), inaugurada há alguns dias. A iniciativa faz parte recente parceria firmada entre a Pop e a revista espanhola Rojo, uma “bíblia” independente focada em arte e criatividade.

O trabalho das duas artistas, tão distantes geograficamente, dialoga tendo em comum referências orientais que vão do estilo ingênuo e alegre de Sassi –conhecido como kawaii–, até a aura poética e melancólica dos desenhos de Kato, com influência da arte tradicional japonesa.

Além da exposição, que é imperdível, vale a pena acessar os sites e blogs das moças.

De Aya Kato: Cheval Noir, contém as imagens deslumbrantes do seu portofólio. E no blog Art Diary of Amy Sol, dá para espiar o atelier e ter uma visão mais íntima e pessoal.

De Elisa Sassi: imagens repletas de fofura no site e no fotolog

Curiosidade: a carreira de Aya Kato  começou a decolar em 2005, depois que ela criou as imagens para o vídeo “Sleeps with Butterflies” de Tori Amos. Confira.

Tori Amos – Sleeps With Butterflies

A Livraria e Galeria Pop fica na rua Virgílio de Carvalho Pinto, 297, tel. (11) 3081-7865, SP. E a exposição fica em cartaz até dia 27 de outubro. Horário: de segunda a sexta, das 13 às 20hs. Sábados das 11 às 18hs. Vai lá!

veja e ouça

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25set . 07 12:15

No dia 13 de setembro noticiei aqui a abertura da belíssima exposição do fotógrafo Marcio Simnch, na galeria Mezanino. Ao visitá-la, fiquei sabendo que as fotos têm estreita ligação com as músicas que Simnch ouvia no Ipod, quando fez o registro das imagens, durante uma viagem.

A idéia de unir imagem e som me pareceu boa demais para passar em branco, então pedi a ele que me mandasse o set list. E gostei tanto do que vi quanto do que ouvi. Confira também!

Pieces of the People we Love, The Rapture

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The Golden Gage, Whitest Boy Alive

 

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Get Big, Okkervil River

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Let’s Call it Off, Peter Bjorn and Johnspan

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As fotos da exposição de Márcio Simnch podem ser vistas na galeria Mezanino até dia 5 de outubro. Lembrando que a Mezanino fica na sobreloja da Banca de Camisetas, na Alameda Franca 1104, e está aberta de segunda a sábado das 10 às 20 hs.

(Lots of thanx to Fábio Resende pela assessoria técnica)