cliques de mestre

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08jan . 10 18:35

Esta semana, na seção Tesouros Sem Frescura, Liliane Oraggio dirige o olhar para a obra de um grande fotógrafo, mestre em captar a essência das coisas banais. Espia só!

Foto: Walker Evans / 1937

Peguei o metrô para ver a mostra de Walker Evans, que fica no Masp até dia 10. Fui reparando nas pessoas que entravam e saiam dos vagões, no sábado chuvarento. Namorados entrelaçados pelas mãos. Mãe preta e filho dormindo no seio generoso. Olhar perdido no rosto do homem que tinha o susto congelado na cara. Tão bonitos… tão de verdade. Estava sem a câmera, mas fiz mentalmente esses registros das múltiplas formas humanas, tentando fixá-las em pleno trânsito.

Eu sabia que Evans tinha sido um dos mais importantes fotógrafos americanos, que a exposição era composta por 120 imagens feitas nos Estados Unidos, entre 1920 e 1970. Além de usar a câmera para esquadrinhar a geometria das cidades, eu não sabia que a expressão espontânea estava sempre na mira de suas lentes. “As profundezas do metrô são um lugar onírico para qualquer fotógrafo farto dos estúdios”, dizia Evans, anunciando o modo que encontrou para escapar do que era produzido, previsível, ensaiado, registrado em ambientes artificiais, ou seja, de tudo o que se fazia naquela época. Mantendo a mesma qualidade técnica e estética, com um faro antropológico, ele foi clicando as cenas cruas. No metrô de Nova York é inverno. As pessoas estão vestidas, mas os gestos estão nus. Homens, mulheres, crianças são notáveis porque são vivos e são comuns. Essa grande transgressão, que rompeu na década de 30, libertou Evans e seus retratos marcaram a história da fotografia.

Na outra sala, a série de polaróides é outra emoção. Nos anos 70, munido de uma SX-70, Evans quebra a resistência à revelação instantânea e firma com ela um novo pacto com a liberdade. Finalmente, as imagens servem ao real e ao instante, sem distrair o foco do belo meramente contemporâneo.

Fica a inspiração: enxergar o exuberante daquilo que-é-o-que-é, o que combina perfeitamente com as nossas câmeras digitais. Seria Evans uma espécie de bisavô da nossa sede de imagens?

Exposição até 10 de janeiro de 2010, no MASP – Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand
Avenida Paulista, 1.578 (telefone: 11 – 3251-5644)
Horários: De terças-feiras a domingo e festivos, das 11h às 18h.
Às quintas-feiras, das 11h às 20h. Ingressos: Inteira: R$ 15,00.
Estudantes: R$ 7,00. Gratuito até 10 anos e para maiores de 60 anos.

Por Liliane Oraggio

Beleza aprisionada

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19nov . 09 10:29

Tempos atrás, fiz um post sobre a questão dos padrões estéticos femininos, que falava também dos concursos de beleza de mini miss, muito populares na America do Norte. Pois é exatamente este o tema da exposição “Hight Glitz, The Extravagant World of Child Beauty Pageants” da fotógrafa Susan Anderson, em cartaz na Kopeikin Gallery, em Los Angeles.

As imagens são impactantes: crianças aprisionadas em cascatas de cachos, congeladas em sorrisos e poses pré-moldados. Caricaturas miniaturizadas de um sonho distorcido de beleza artificial, onde não há lugar para o espontâneo, para o imprevisto, para a ingenuidade. Essas meninas parecem aves bizarras, empalhadas, laqueadas.

(via blog da Cavalera)

Lomovisão

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13nov . 09 3:22

lomo1

Foi inaugurada no Rio de Janeiro, no início do mês, a primeira loja Lomography da America do Sul! Para os não iniciados, é preciso explicar as câmeras analógicas Lomo eram originalmente fabricadas na Rússia, nos 80. Toscas e com poucos recursos, elas foram redescobertas em 1991 por um grupo de estudantes vienenses que encontrou um exemplar da Lomo Kompakt Automat (aka LC-A), num brechó em Praga. Depois disso, a febre foi se espalhando.

A filosofia lomo, cujo lema é “Não Pense, Apenas Fotografe” angariou uma legião de seguidores fiéis, sempre prontos a captar imagens com suas máquinas de plástico, quebrando as regras clássicas da fotografia, em nome da diversão e da experimentação.

Além de vender os produtos da Lomo, a loja carioca conta com um espaço para exposições e uma programação de workshops. Confira abaixo:

No dia 17/11, das 19 às 21hs, o tema será “Médio Formato”.
Dia 01/12, no mesmo horário, “Sol é Detalhe” ensina a usar de forma criativa as câmeras com flash.
E no dia 12/12 (sábado) das 10 às 17hs, “Cartão Postal Lomográfico”, os participantes vão poder pegar câmeras emprestadas para produzir um cartão postal.
As vagas são limitas e as inscrições podem ser feitas pelo email: loja@lomography.com.br
  • No dia 17/11, das 19 às 21hs, o tema será “Médio Formato”.
  • Dia 01/12, no mesmo horário, “Sol é Detalhe” ensina a usar de forma criativa as câmeras com flash.
  • E no dia 12/12 (sábado) das 10 às 17hs, “Cartão Postal Lomográfico”, os participantes vão poder pegar câmeras emprestadas para produzir um cartão postal.

As vagas são limitas e as inscrições podem ser feitas pelo email: loja@lomography.com.br

Lomography Gallery Store Rio de Janeiro
Av. Visconde de Pirajá 437, sobreloja 201. Ipanema.
Telefone: (21) 2267-2226

via: Ipanema Blog Lomography.com / foto: Demian Jacob

cenas de uma estação

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23out . 09 4:00

fotosite-chanel

Marcelo Soubhia, excelente fotógrafo que é gente finíssima e criou a Agência Fotosite, acaba de publicar um slideshow com as imagens feitas durante os desfiles internacionais de primavera-verão 2010, em setembro e outubro. Vale a pena conferir a magia da passarela captada por seu olhar apurado.

fotosite-dior

as brumas de malva

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09out . 09 14:15

O fotógrafo Daniel Malva, que tem um trabalho interessante e experimental, acaba de estrear seu novo site.  Gosto muito das fotos que tem as cores apagadas, feitas com interferência no sistema de captação das imagens, diretamente na câmera. Tem também belos registros de backstage e, claro, o ensaio “Alien Dominatrix”, feito para o Moda Sem Frescura. Espia lá!

Clique nas imagens para ampliá-las

no mundo das memórias perdidas

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29set . 09 20:33

Muito comovente o ensaio “days with my father”, do fotógrafo inglês Phillip Toledano. Ele registra, em fotos e anotações, a convivência com o pai, um viúvo de 95 anos que não consegue guardar nenhuma memória recente. É uma realidade dura, feita de perdas (de entes queridos, de lembranças, de capacidades físicas), mas também de de amor, dedicação, generosidade e até humor.

Clique nas imagens abaixo, para ampliá-las

Para acessar o site do projeto “days with my father” e ver todas as fotos, clique aqui.

(dica do amigo e  fotógrafo Adi Leite)

Força nos ombros!

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24set . 09 14:39

Adorei o editorial de moda “Shouldersss” publicado recentemente na revista Quem. A matéria mostra um streetwear bem elaborado, com foco nos ombros, como diz o título. As fotos, feitas por Rogério Alonso, foram realizadas na pista de skate de São Bernardo do Campo, a maior da América Latina. Alonso, que além de fotógrafo é skatista, me contou que não foi nada fácil realizar o trabalho. Mais do que questões técnicas, a dificuldade foi se distanciar de um ambiente tão familiar a ele e encará-lo de um jeito novo. Vendo o resultado, só posso dizer que ele conseguiu. A equipe toda está de parabéns, aliás!

quem 1

quem 2

quem4

quem 5

Fotos: Rogério Alonso
Edição de moda: Denise DahDah
Styling: Rodrigo Polack
Cabelo e maquiagem: Daniel Lacerda
Modelo: Manu Tessari

o olho que tudo vê

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14set . 09 23:21

Quem nunca teve vontade de ter visão de raio-X, como o Super-Homem, para poder olhar através dos objetos, que atire a primeira radiografia!

O fotógrafo inglês Nick Veasey realizou este sonho, capturando imagens com aparelhos de raio-X. A ideia, segundo ele, é questionar a aparência superficial das coisas e a obsessão com celebridades e padrões de beleza. Suas fotos, apesar da premissa, são lindísimas.

Clique nas imagens abaixo, para ampliá-las

Os trabalhos mais recentes de Nick Veasey serão expostos na galeria Maddox Arts, em Londres, de 30 de outubro de 2009 a 10 de janeiro de 2010.

(via Telegraph)

linda de galochas!

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02jul . 09 12:17

Ontem, passeando pelos Jardins, dei uma passadinha da loja da Melissa –que, aliás, está com uma fachada linda, toda estampada com flores e frutas em 3D– e vi que acabaram de chegar as galochas feitas em parceria com a estilista inglesa Vivienne Westwood.

O mimo se chama Vivienne Westwood Anglomania + Melissa Squiggle Boot e custa R$ 290. E com a chuva que está caindo hoje, eu vou “precisar” muito de uma, com certeza! Gostou da desculpa?

galocha-melissa

PS- Depois, no evento de lançamento de primavera-verão da Renner, para a imprensa, conversei com a estilista Gabriela Lima que me contou que a rede varejista também está vendendo galochas lindas. Ela ficou de me mandar umas fotos e eu prometo postar aqui!

contando histórias e derrubando mitos

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30jun . 09 15:24

“O desfile, hoje, não serve para nada. As grandes revistas vendem seus espaços comerciais antecipadamente e as grifes que não podem, ou não querem pagar, são totalmente ignoradas”.

“A moda é a única indústria que dá, gratuitamente, sua invenção para a concorrência, antes que ela seja produzida e vendida. Na minha opinião, a apresentação das coleções deveria ser acoplada à venda. Se você dá sua inovação de graça, a Zara vai produzir e entregar antes de você”. Didier Grumbach, sobre os desfiles de lançamento sazonais.

As frases acima, que criticam o modelo de calendário adotado pela moda na maior parte dos países, foram ditas por Didier Grumbach em 15 de junho, ironicamente, data em que esteve em São Paulo a convite da  São Paulo Fashion Week, para o lançamento de seu livro “Histórias da Moda”.

A publicação traça um panorama histórico do surgimento da alta-costura, no final do século XIX, até os dias atuais. E apesar do assunto ser bastante específico, graças à linguagem acessível e aos detalhes curiosos, a narrativa é capaz de entreter os leitores curiosos sobre o surgimento da moda, mesmo que não tenham formação ou aspiração acadêmica.

Mas o intuito deste post é indicar a leitura da excelente entrevista feita com o escritor, por Tarcisio D’Almeida para o caderno MAIS! da Folha de São Paulo, publicada em 21/06/09. Leia, abaixo, é imperdível!

Para usar e abusar

Autor de “Histórias da Moda”, Didier Grumbach diz que grandes costureiros, como Saint Laurent, foram mais inovadores nas coleções de prêt-à-porter do que na alta-costura

TARCISIO D’ALMEIDA
ESPECIAL PARA A FOLHA

Quando o prêt-à-porter emergia na cultura e na civilização francesas, no início da década de 1960, Didier Grumbach era adolescente: tinha 17 anos. Formou-se em direito, mas, por um erro de percurso, acabou seduzido pela indústria da moda.

Testemunha de uma época em que a hegemonia da tradição elitista da alta-costura começou a ser confrontada com o olhar criativo e visionário dos estilistas do prêt-à-porter, Grumbach acaba de ter seu livro “Histórias da Moda” publicado no Brasil. Em entrevista à Folha, afirmou que “sem megalomania e criatividade a moda não pode existir”.
Em seu livro, a reflexão sobre vestimentas e moda remonta a períodos anteriores à noção moderna de moda, na qual esta se fundamenta a partir do século 19, sobretudo, com a invenção da alta-costura.

Para ele, a moda pode, por isso, colaborar para refletir sobre estruturas do cotidiano, das aparências, dos estilos, dos costumes, das etiquetas, dos gostos e consumo das sociedades. Esses temas, diz, podem contribuir para entender a atual configuração dos mercados de moda no mundo globalizado.
Na entrevista abaixo, ele também advoga em favor do livre espírito criativo da moda.

FOLHA – Como podemos pensar a relação entre roupa, moda, arte e sociedade?
DIDIER GRUMBACH
– A comparação constante entre moda e arte, tendo a alta-costura como parâmetro, é muito mais frágil e contestável do que com o prêt-à-porter nos dias atuais. Este último foi organizado como um sistema de franchising, permitindo ao criador se exprimir de maneira muito mais original. Quando a alta-costura era pujante e o prêt-à-porter não existia, cada costureiro tinha sua própria clientela, à qual ele tinha que se adaptar. Yves Saint Laurent era muito mais livre com suas criações, no ano de 1966, exprimindo-se a partir de suas coleções YSL Rive Gauche. Ele teve a possibilidade de inovar muito mais com o prêt-à-porter do que com sua alta-costura, que era destinada a um público burguês. O prêt-à-porter deu liberdade para os criadores da moda, pois o passado não era estimulante.

FOLHA – Quando o sr. fala de passado, quer dizer que não havia diretores de criação?
GRUMBACH
– Sim. Se observarmos os grandes costureiros e tomarmos como exemplo a Maison Jean Patou no seu período áureo, as coleções começavam a ser apresentadas de manhã e seguiam até a noite sem necessariamente terem um diretor artístico. Era normal ela comprar croquis externos, em particular de Christian Dior, e as clientes achavam normal comprar esses modelos de uma “maison” que não tinha diretor artístico. Aliás, esse questionamento era inexistente, pois era uma época em que a empresa era industrial, e não mais uma “maison” de criação. Para se ter uma ideia, em 1925 a Jean Patou tinha cem vendedoras e 30 provadores de roupas. Também podemos citar Madame Carven, que, em 1948, vendeu 9.000 peças de alta-costura -o que pode ser considerado uma produção industrial. Ou seja, a alta-costura sempre foi uma indústria, mas não uma indústria criativa. A idade de ouro da alta-costura é algo que nos apaixona, mas é como um sonho.

FOLHA – Inspirados no sociólogo alemão Norbert Elias (em “Os Estabelecidos e os Outsiders”, ed. Jorge Zahar), podemos imaginar um confronto entre a tradição dos costureiros da alta-costura e a atitude visionária dos estilistas do prêt-à-porter?
GRUMBACH
– Hoje a ideia de que alta-costura serve de laboratório para o prêt-à-porter não se sustenta de modo nenhum. “Maisons” como Thierry Mugler, Montana e Jean-Paul Gaultier eram líderes do prêt-à-porter e foi na alta-costura que encontraram problemas com os quais nunca souberam lidar.

FOLHA – O sr. afirmou não existir uma moda de um único país, isto é, “moda da França”, “moda do Brasil” etc. Mas, se pensarmos em termos de consumo, a China seria uma aposta para a moda do futuro, até mesmo em termos de criação?
GRUMBACH
– Não, não acredito que a moda chinesa seja a moda do futuro. A dificuldade é que a China não exporta nada, e o Ocidente importa tudo. Seria muito difícil para o mercado chinês concorrer, por exemplo, com a [rede espanhola de "fast fashion"] Zara, por exemplo. E tudo o que se refere à fabricação chinesa é muito complicado, pois é difícil ser, ao mesmo tempo, produtor e fornecedor de produtos baseados em mão de obra barata. Essa mudança de paradigma levaria anos. É o contrário do Japão, por exemplo, que abriu seus mercados ao mundo ocidental nos anos 1950, e a indústria do país pouco a pouco foi se constituindo e crescendo.

FOLHA – No caso do Brasil, quais são as dificuldades e forças em relação a esse mercado?
GRUMBACH
– O Brasil oferece o mesmo nível de dificuldade mecânica no que diz respeito às estações do ano, que não são coincidentes com as de outras regiões do globo. Isso resulta em uma logística complicada. É possível resolver progressivamente esse problema com um certo alinhamento entre as “maisons” por meio de coleções diferenciadas, que guardem uma certa referência a países longínquos -mas sem necessariamente manter uma visão folclórica ou extremamente regionalista de moda. O que é interessante nesse alinhamento é a possibilidade de uma “maison” francesa, por exemplo, poder adquirir produtos ou ter fornecedores e criadores brasileiros que possam desfilar nas semanas de moda de Paris, como foi o caso de Alexandre Herchcovitch. Acredito que em alguns anos, por conta da globalização, isso possa ser realizado, e de forma muito rápida. O que deverá acontecer numa próxima etapa é que criadores da nova geração de todo o mundo -que já entenderam a nova configuração do mercado internacional- poderão contribuir com coleções para Dior, Saint Laurent, Givenchy (e suas criações ficarão relacionadas a essas marcas). Algo que era impensável há alguns anos, mas totalmente possível na atual configuração mundial.

FOLHA – E quais são os desafios para os novos criadores? A moda se pautará pela tecnologia?
GRUMBACH
– A nova geração irá se inserir no mercado de uma maneira rara, pois a moda hoje é um fenômeno tecnológico -não é mais artesanato. Por exemplo, ela pode ser pensada em Paris, desenhada pela internet em outra cidade e produzida em qualquer parte do mundo, como em São Paulo. Isso é algo sensacional! Essa moda irá pautar uma indústria de ponta, pois é um novo modelo de gestão que todos tentam imitar. Trabalhar com criadores hoje é fundamental porque apenas usar o marketing como ferramenta não funciona mais. Um produto que é destinado somente ao mercado brasileiro não poderá ser exportado. Da mesma maneira que um produto direcionado apenas ao mercado francês não será exportado porque a moda é uma indústria de ponta e revolucionária -algo que ela não era há dez anos.

FOLHA – Há possibilidade de algum criador brasileiro desenvolver uma coleção para uma grife internacional, dentro da ideia de globalização, como acontece com o português Felipe Oliveira Baptista?
GRUMBACH
– Eu não estou familiarizado com o parque industrial têxtil brasileiro, mas acredito que é possível fazer várias alianças nesse contexto. Porque o Brasil tem o “savoir-faire” específico em alguns produtos, como moda praia, além do couro e do design de sapatos. Boas alianças podem ser estabelecidas porque existem criadores aptos a aconselhar tanto uma empresa chinesa quanto uma italiana, como a Max Mara -esse é o caso de Felipe Oliveira Baptista. Vivemos a globalização, em que não existem mais nacionalidades, e um brasileiro pode assumir o processo criativo de uma grife internacional, como é o caso de Francisco Costa na Calvin Klein. No mais, ninguém diria que Karl Lagerfeld é alemão e que Alaïa é tunisiano.

TARCISIO D’ALMEIDA é professor de moda na Universidade Anhembi Morumbi (SP). Colaboração e tradução de Marilane Borges .


HISTÓRIAS DA MODA

Autor: Didier Grumbach
Editora: Cosac Naify (tel. 0/xx/11/ 3218-1444)
Quanto: R$ 99 (456 págs.)