

 Ontem, na abertura do Resfest, Laura Faerman e MarÃlia Scharlach, diretoras do filme “No Traço do InvisÃvel” subiram ao palco e agradeceram, entre outros, à equipe de filmagem, por ter entrado “naquela buraqueira”. O que as imagens mostram, logo a seguir, é mesmo uma buraqueira infernal, composta pelas galerias de esgoto do rio Tietê, pelo piscinão do Pacaembú e outros lugares para lá de trash, que o grafiteiro elege como suporte para sua arte.
Ver Zezão se embrenhar na imundÃcie dos túneis causa, logo de cara, um grande incômodo visual e levanta algumas questões importantes. Por que uma pessoa se presta a se enfiar no esgoto para grafitar onde ninguém vê? É um discurso social, é transgressão, é o quê?
Queremos tanto esquecer da parte feia da cidade, dos seus subterrâneos sujos, das suas áreas degradadas e decadentes. E no entanto, lá vai Zezão, sozinho pelos túneis, como arqueólogo do lixo, deixando sua marca, suas belas formas fluidas e orgânicas, sempre em dois tons de azul. Para quê e para quem?
O arquiteto Paulo Mendes da Rocha e o galerista Baixo Ribeiro (da Choque Cultural) analisam o trabalho do grafiteiro, falam do horror da decadência urbana, da impossibilidade de revitalizar as áreas mortas, da falha da civilização em criar e manter a cidade.
 Não fica claro, no filme, o quanto estas reflexões fazem parte da intenção do artista, e isso deve ser entendido como uma qualidade e não uma falha. Zezão escala paredes, se equilibra em muros altos, pula em terrenos baldios, invade trilhos de trem, arromba portas em prédios abandonados. Suas ações falam por si. A câmera que o segue, cúmplice, espiona aquele mundo estranho e apocalÃptico que não queremos ver. E termina por mostrar uma beleza à s avessas, feita de avenidas sinuosas, curvas de rio, galerias subterrâneas. Vista do alto, a cidade se parece com os traços de Zezão.
O filme “No Traço do InvisÃvel” vai ser reapresentado amanhã, sábado, à s 15:40hs. Não perca!
Para saber a programação completa do Resfest, clique aqui. Ou, para ver mais imagens, no Flickr de Zezão, clique aqui.
Publicado por: Biti Averbach
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