Cada desfile é um momento único, uma alquimia entre a imaginação do estilista, a eletricidade da platéia, a dramaticidade do cenário, do som e da luz. Despertar desejo é o grande sonho de quem cria.
[Fotos exclusivas de Rogério Cavalcanti do desfile de André Lima]
Por falar em desejo, vale a pena assistir ao programa ”Café Filosófico” da TV CULTURA, que aborda este tema. No vídeo, que você pode ver AQUI, o psicanalista Ivan Capelatto fala sobre a busca do inalcansável objeto de desejo.
Abaixo, algumas frases pinçadas do programa.
“O desejo não está ligado ao prazer, mas sim à busca de um objeto. Quando este objeto é alcançado, o desejo perde a sua significação”.
Para Maud Mannoni, psicanalista francesa, “o desejo mais profundo do ser-humano é ser desejado pelo outro”.
“De acordo com o conceito do Desejo Paradoxal, nosso maior medo é de não sermos mais desejados pelo outro. Assim, nos tornamos reféns dos desejos alheios. Medo e desejo são irmãos gêmeos, fazem parte do mesmo composto.”
“O remédio contra o desejo é a consciência.”
“O que é a felicidade que tanto buscamos? É um prazer constante. E qual é o objeto capaz de produzir isso?”
Adorei a trilha sonora do desfile masculino de Alexandre Herchcovitch: uma música chamada “The Past is a Grotesque Animal” do Of Montreal.
Sabendo que o estilista é bastante minucioso em tudo que se refere ao seu trabalho, me pergunto se a escolha teria algo a ver com o título, além, é claro, da sonoridade. Seria uma referência ao seu passado recente, à frustrada negociação com o grupo I’M?
De qualquer forma, a música intensa e melancólica criou o clima perfeito para o desfile de referências multiétnicas. Ouça aqui!
Já participou da promoção cultural do MODASEMFRESCURA?
Nesta semana, o prêmio é um exemplar do “Dicionário da Moda” de Marco Sabino, editado pela Elsevier. O livro, essencial para qualquer pessoa que estude ou trabalhe na área de moda, tem 657 páginas, cerca de 1500 verbetes, muitas fotos e ilustrações. Ou seja, é um luxo absolutamente necessário!
Como faz para concorrer?
*É preciso responder à pergunta: “Por que eu devo ganhar o Dicionário de Moda de Marco Sabino?”
*A resposta deve ter no máximo 140 caracteres, contando com os espaços (em homenagem ao twitter) .
*E ela tem que ser enviada através da seção de comentários do blog. Emailnão vale desta vez.
O resultado será anunciado no próximo domingo, dia 22/06. Boa sorte a todos!
O que é novo, inusitado, inédito, sempre causa estranheza, encantamento ou rejeição. Tem sido assim desde sempre, graças à mistura de medo e curiosidade que as invenções despertam.
Selecionei algumas “loucurinhas” avistadas no SPFW até agora. Mas como a lista deve crescer nos próximos dias, vou continuar atualizando a série.
Corpete de plástico holográfico, da Osklen. O efeito é lindo, mas não deve ser lá muito prático.
Homem de saia nem é algo tão inédito assim. Os gregos vestiam túnicas, os escoceses usam o kilt até hoje. Será que agora, finalmente, a moda pega? Bem que poderia, já que o look é confortável e arejado, bem adequado ao nosso clima tropical.
O paletó com short (aqui, em versão da V.Rom) é outro look polêmico que se vê muito na passarela e mas não na vida real. Será que um dia os executivos vão botar as pernocas de fora?
Do Estilista: burka fashion ou uma daquelas capinhas de liquidificador? Essa roupa é só para o desfile mesmo. Ou alguém se habilita?
Hoje, nos corredores da Bienal, encontrei com Alessandra Berriel, uma das modelos mais interessantes e bem sucedidas dos anos 90. Isso me fez lembrar de uma polaroid, praticamente inédita, feita para uma instalação de moda numa casa noturna.
Publico-a aqui como uma singela homenagem ao centenário da imigração japonesa.
Foto: Cristiano
Cabelo e maquiagem: Carlos Carrasco
Modelo: Alessandra Berriel
Concepção e styling: Biti Averbach
Esta foto foi exposta em um perfectoscópio, um aparelho ótico do começo do século 20, que criava a ilusão de profundidade, uma espécie de efeito 3D pré-histórico. O tal perfectoscópio foi cedido por Fernando Sommer.
A idéia, aqui no MODA SEM FRESCURA, é relacionar a moda com outras formas de expressão música, fotografia, arte, consumo e cultura pop. Ao fazer esse cruzamento, inevitavelmente a visão muda: a moda não está mais no centro do mundo, o mundo é que está no centro de todas as modas.