10 dicas para ser eco fashion em 2010

O consumo desenfreado que se alastrou no mercado de moda, nos últimos anos, já começou a desencadear uma reação contrária. Não dá mais para ignorar o custo ambiental de todo esse consumismo fast fashion. É preciso também tomar consciência do papel que cada um de nós desempenha ao realizar este ato aparentemente banal que é se vestir. Pensando nisso, reuni 10 dicas ser eco fashion em 2010.

1) Mude a combinação

Quem nunca abriu o guarda-roupa e disse: “não tenho roupa para sair“, que atire o primeiro cabide! A solução para este problema não passa necessariamente pela conta bancária. Faça um exercício de criatividade com o que você já tem, experimente novas combinações, sobreponha peças, misture estilos, perca o pudor com as cores. Além de economizar dinheiro, você estará diminuindo a quantidade de lixo descartado.

2) Custo x benefício

Consuma de forma mais inteligente. Invista em peças de qualidade que, mesmo custando mais, irão durar por várias estações. Para renovar o visual, combine seus clássicos com acessórios charmosos: echarpes, colares e brincos vistosos, cintos, sapatos, botas e chapéus.

3) Comércio justo

Preste atenção em quem fabrica o que você veste. Algumas grandes marcas que vendem muito barato escondem uma feia realidade: a exploração de trabalhadores, o uso de mão de obra escrava e até mesmo infantil.

4) Eco-fabrics

O que você veste tem grande impacto no meio ambiente. Tecidos sintéticos, à base de poliéster, demoram 200 de anos para se decompor na natureza. As plantações de algodão, por outro lado, usam pesticidas altamente tóxicos em grande quantidade. A saída é optar por roupas de algodão orgânico, sempre que possível.

5) Segunda chance

Foi-se o tempo em que os brechós eram lugares entulhados e poeirentos. Hoje, existem lojas que vendem roupas de segunda mão em ótimo estado, organizadas e limpas. Frequente-as para adquirir ítens em conta, ou para vender aqueles que não usa mais.

6) Troca-troca

Organize um evento de trocas com os amigos, em que cada um leva um certo número de peças e tem direito a escolher outras. Como a ideia desse troca-troca é se divertir, solicite que os convidados levem comidinhas, enquanto o anfitrião providencia as cervejas geladas.

7) Agulha e linha

Se você tem habilidade em trabalhos manuais, faça um curso de corte e costura, ou aprenda a tricotar. Assim, além de ter o prazer de criar e vestir algo original, você evita o impacto ambiental da etapa de confecção industrial.

8) Couro verde

Procure comprar acessórios feitos de couro vegetal que não utilizam cromo no curtimento. Um parte dessa substância pode oxidar, tornando-se tóxica e poluindo a água usada no processo.

9) Conta gotas

Lave suas roupas com água fria e ecologicamente correto, e seque-as no varal, evitando o uso da secadora. Uma única camiseta, lavada a 60ºC, secada na máquina e passada a ferro, libera 4 quilos de emissões de dióxido de carbono em sua vida útil. Isso equivale a a uma viagem de avião de 27 quilômetros!

10) This is not a plastic bag

Acostume-se a levar uma sacola de pano dentro da bolsa, para evitar o uso de sacos plásticos descartáveis.

Essas dicas fazem parte do concurso cultural 10 para 2010 da Bierboxx, e foram inspiradas pela leitura do livro “Eco Chic” de Matilda Lee (editora Larousse). Espalhe-as por aí e feliz 2010!

acessórios com alma

Houve uma época em que eu achava que não gostava de bijuterias. Usava um relógio antigo, comprado num brechó, e mais nada. Olhava para aquelas lojas de shopping, apinhadas de brincos, colarzinhos e badulaques e sentia um enjôo instantâneo. Tudo parecia fabricado em série, sem personalidade. Com o tempo, fui descobrindo marcas que vendiam peças especiais, capazes de me encantar. Como a Mary Design, grife da mineira Mary Arantes, que faz acessórios que já vem com alma e história.

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No caminho da coleção de verão 2010, recém-lançada, a designer encontrou uma árvore. Transformou raízes, galhos, flores e ninhos de pássaros, em poesia visual. E além disso, refletiu sobre a urgência de adotar atitudes eco-lógicas.

“Nosso homenageado é o escultor e naturalista Frans Krajcberg, por acreditar que ele traduz a chegada a um estágio global de percepção. De origem polonesa, este feroz defensor do nosso verde abraçou a causa das queimadas no Brasil, mais do que qualquer brasileiro”, diz Mary. 

Para traduzir o conceito desta nova consciência, foram usados materiais alternativos, técnicas sustentáveis e arte. Dois artistas convidados colaboraram com a coleção: Wallace Barros, que cortou, gravou e queimou câmaras de ar  de borracha, e madeira, criando o que podemos chamar de “adornos que denunciam”. E a estilista Brígida Santos, que se apropriou de restos de couro sintético, descartados por fábricas, para criar um patchwork de flores e folhagens com exuberância tropical.

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Apesar dos materiais serem quase banais, a imaginação é rica: lindas borboletas brotam de penas de pavão, as rendas brasileiras se vestem de metal dourado. E até as paisagens nordestinas são eternizadas, nas peças feitas com garrafinhas de areia colorida, típicas do artesanato local. “Mais que um souvenir, nosso colar tem como intenção colocar esta cena numa redoma de vidro, como relíquia a ser guardada de um cenário ainda existente”, explica Mary.

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Fotos: Juliano Arantes

Equipe de estilo: Mary Figueiredo Arantes, Camila Borges, Juliana Scheid / Contato: mary@marydesign.com.br